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A banda Oito Mãos nasceu da união dos músicos Felipe Bier (voz/baixo), Leandro Publio (voz/guitarra) e Adhemar Della Torre (bateria) que, então, se juntaram a André Leonardo (voz/guitarra). Saiba mais

Meu ponto de vista!
Banda Oito Mãos

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Por Felipe Bier

            É difícil estabelecer um evento que marque o começo de uma banda. Seria possível resgatar a história de cada integrante e apontar em que ponto seu envolvimento com a música se iniciou? E, mesmo se isso fosse possível, a soma das experiências pessoais abarca a riqueza da criação conjunta? Se tais perguntas remetem a respostas muito abstratas, é preferível estabelecer um marco aleatório para o início da Oito Mãos. Quem sabe o dia em que, sentados numa sala de aula do primeiro ano colegial, um colega se aproximou de mim e do Adhemar e disse: “Vamos montar uma banda: você vai tocar baixo e você bateria”. Nós simplesmente respondemos “Hum... tudo bem!” e estava feito: um universo havia se aberto.

Como disse, ao fazer esta escolha, omito todas as genealogias que poderiam ser traçadas através dos outros membros da banda. Mas prefiro seguir a ordem que se impõe numa gravação: primeiro a “cozinha” da música, o baixo e a bateria. Como iniciantes, começamos uma banda de garagem que arriscava poucas variações de três acordes muito mal encontrados. Éramos basicamente uma banda cover de Nirvana: seguíamos o gosto imposto por aquele colega (chamado André, guitarrista) e tentávamos incorporar a vivência de uma banda – o aprendizado de fazer diversos instrumentos soarem como um bloco orgânico de vibrações – em meio ao barulho de uma pretensa banda grunge, sem fazer muita justiça à importância da banda de Seattle... Após alguns meses, nosso colega que visualizou o grupo acabou vendo seu interesse pela música decrescer em detrimento do gosto por aviões. Eu e Adhemar, ao contrário, cada vez mais ansiávamos conhecer melhor a história do rock à medida que também melhorávamos nossas capacidades como instrumentistas. Tivemos uma fase Pink Floyd, outra Black Sabbath, também um mergulho em Beatles (nele estamos até hoje, acredito)... Ao final do terceiro ano colegial, havíamos tocado com muitas pessoas em muitas formações, experimentando imersões em diferentes universos musicais. Mas, como nada de muito concreto havia acontecido até então, ao final de 2002 Adhemar aceitou um convite para fazer parte de uma banda cover de Beatles e eu acabei ficando sem ter com quem tocar.

Nesta época, conheci o Publio. Ele tocava em uma banda que tinha uma história mais ou menos parecida com a relatada até aqui: havia um mentor que colocava juntas pessoas com vontade de tocar e guiava os rumos estéticos e, neste caso, comerciais do grupo. Fui convidado a fazer parte desta banda – que por sinal se chamava “Vertigem” -, cuja proposta era diferente das bandas em que eu havia tocado. Não existia muito da preocupação com a construção de um repertório com músicas relevantes à história do rock e que traziam prazer principalmente àqueles que a executavam: havia um anseio com a feitura de shows, não importando muito o local ou a ocasião. Sendo assim, chegamos a tocar em casamentos e festas de aniversário um set list bastante abrangente, e até ganhamos um bom dinheiro com isso. Num curto espaço de tempo, tive pela primeira vez a sensação de não só fazer da banda um meio para absorver as influências e compor um gosto musical: na Vertigem, precisávamos fazer externar a música de forma a agradar outras pessoas. Por isso, apesar de a banda não primar pela qualidade técnica e pelo refinamento estético, ela nos deu a oportunidade de sentir que fazer shows é muito bom e, além disso, nos fez perceber que para ser uma boa banda, precisávamos tocar bem ao vivo.

Eu apostaria na tomada de consciência deste limite técnico a que havíamos atingido como o fator de desagregação da Vertigem. Simplesmente chegamos à conclusão de que, de certo modo, vivíamos uma contradição: sabíamos que era preciso sermos uma boa banda para tocarmos ao vivo, mas não éramos bons o bastante. Quando a banda terminou, eu e Publio já tínhamos firmado uma amizade que extrapolava a mera vivência dos ensaios: compartilhávamos muitos gostos e afinidades. Decidimos, então, montar um novo grupo com o intuito de tocarmos as coisas que gostávamos, mas com um nível técnico de execução mais elevado. Quando pensávamos em quem chamar para esta nova banda, disse que conhecia um baterista que, apesar de tocar muito alto, tocava bem. Foi quando começamos nossa empreitada musical, sem nome, mas muito barulhenta: eu, Adhemar e Publio, moldando aquilo que, menos de dois anos depois, seria a Oito Mãos.

Nesta época, coisas interessantes estavam acontecendo no cenário musical brasileiro. Acredito ser inegável a importância que a banda Los Hermanos exerceu sobre nós não só como influência musical: mas principalmente como uma alternativa à atmosfera extremamente rarefeita do rock brasileiro dos anos 90. Eles pareciam o melhor exemplo de uma banda com muito potencial que não se subjugou aos desejos meramente mercantis das gravadoras. É claro que os barbudos não eram algum tipo de super-heróis da música: digamos que a maré dos tempos estava a seu favor. De qualquer forma, vimos neles não só timbres e letras diferentes, mas principalmente a possibilidade de a música brasileira se configurar como algo criativo. Estávamos a um passo, portanto, de sairmos do universo cover para tentarmos os primeiros passos com músicas autorais. Foi neste contexto em que encontramos as últimas duas mãos que faltavam.

Conhecemos o André Leonardo pela internet, no início de 2005. Tínhamos um amigo em comum, é verdade; no entanto o nosso contato se estabeleceu sobretudo por meio do desejo comum de tocar músicas dos Beatles, Oasis, Travis, Los Hermanos e, especialmente, de compor músicas próprias. André já tinha uma experiência muito maior do que a nossa nesse sentido: com outras bandas e outros amigos já havia composto, experimentado, vivenciado a música de maneira bastante diferente. Se eu, Adhemar e Publio estávamos ansiosos em conhecer os caminhos da criação, André procurava uma banda minimamente versada e experiente – cujos membros estivessem afinados em gosto – em que tal criação fosse possível. Desta forma, criamos o ambiente ideal para o surgimento de uma tensão bastante sadia entre vontade de explorar os limites estéticos e necessidade de sermos ouvidos. Acredito que, conjuntamente, criamos o meio necessário para que eu, André e Publio nos desenvolvêssemos como compositores – no sentido mais estrito – e, principalmente, para que toda composição se tornasse composição coletiva.

Nesta toada, compusemos um número considerável de músicas. Foi o bastante para, em seis meses, fecharmos o repertório daquilo que seria o nosso primeiro CD demo: Inverno Inusitado. Foi a primeira verdadeira experiência de gravação para todos nós; neste sentido, foi um real aprendizado. Tivemos consciência de duas coisas em especial: da nossa capacidade criativa e dos degraus que ainda precisaríamos subir até que a qualidade das composições encontrasse um nível de execução e de gravação satisfatório. Ao menos o Inverno Inusitado serviu para que Felippe Pompeo se sentisse incomodado com a Oito Mãos e resolvesse descobrir, como ele mesmo diz, “quem eram esses malucos”.

Pompeo é um cara que, em termos de experiência de banda e de gravação, dava, no começo de 2006, aulas para qualquer um de nós. Ele fez parte da banda Lucidas, que no final da década de 90 e começo dos anos 2000 foi bastante famosa em Campinas. Mas, de uma forma ou de outra, ele não deixava de se encaixar no refluxo da música pop que caracterizou esta época. Dito de outra forma, fazer pop rock não mais lhe interessava, ele buscava “algo mais” em termos criativos. E nós, os “malucos”, estávamos fazendo algo que qualquer uma dessas bandas da década anterior se recusaria a fazer, se quisesse tocar na noite ou ser ouvida: tentávamos extrapolar os limites estéticos de nossas músicas o tempo todo. A aliança com Pompeo, portanto, como nosso produtor musical, serviu para colocar toda essa criatividade nos eixos: mais uma vez, a entrada de mais uma pessoa em cena fazia com que se criasse uma tensão benéfica entre a busca pelo aprimoramento técnico e a vontade de alçar o efeito estético, criado pela música, a novos patamares. Ou seja, a boa e velha tensão entre forma e conteúdo.

A partir daí, passamos a fazer muitos shows e procuramos apurar nossas entradas em estúdio. Encontramos aí um equilíbrio minimamente estável entre performances ao vivo e know-how em gravações. Certamente é possível perceber que a Oito Mãos faz parte de um movimento mais amplo do próprio rock de Campinas e mesmo do Brasil em geral: somos, portanto, ao mesmo tempo, conseqüência e produtores de tal cenário. Eu diria que não temos a pretensão de sermos a nova grande banda do rock brasileiro, até porque não sei se isto ainda existe. O que é possível perceber é que nossa música tem encontrado reverberações por aí: há pessoas interessadas em nossas composições. O que já é bom. Aos poucos vamos tecendo a história da banda, de música em música, nos próprios vãos e frestas que nós mesmos fizemos questão de abrir.

Felipe Bier

 

O que acontece:

Ensaio/Gravação

Tá indo bem essa idéia. Gravar ensaio é um privilégio que a gente tem, e que temos que aproveitar bastante. Pra música nova é a melhor coisa, já são 3, ou 4.

Ensaiando

A partir de agora toda segunda-feira a gente vai trabalhar nas músicas novas, porque o bem da verdade é que a gente gosta mesmo é de fazer isso. Com muita calma, vamos começando o segundo disco.

Cupins

Cupim não come cd. Descobrimos isso recentemente. Mas o armário e todas as caixas de papelão em volta deles, disso não restou nada.

Notícias

“Novo site – agora sim. O site tá bem legal, aproveite pra conhecer mais da banda.
O primeiro disco ainda é um pouco novidade (baixe o disco na seção downloads), mas mesmo assim, já estamos entrando no segundo. Não pode parar”